DEUS MORREU

  DEUS MORREU


                      Quando tive a oportunidade de estudar o pensamento de Frederick Nietzsche, mesmo partindo de um preconceito por parte de meus professores, tive uma imagem positiva do “cara”. Achei interessante a sua crítica a alienação religiosa, e como não ficar surpreso com a sua declaração da morte de Deus.
            Li nesse domingo de páscoa em um jornal: “Conta-se que na década de cinqüenta apareceu pinchado no metrô de Nova York a seguinte discrição: ‘Deus morreu, assinado Nietzsche.’ Mas, no dia seguinte, outra mão pinchou em baixo: ‘Nietzsche morreu. Assinado: Deus’.  Imagino que tal episodio foi uma resposta de um religioso ou simplesmente de um crente, porém eu, nada religioso e pouco cristão, sei por mínima fé que Deus não esta morto, ao contrario vivi triunfante na vida daqueles que se abrem ao amor.
            Não sei a veracidade desse fato do metrô de Nova York, mas gostei dos trocadilhos de palavras. Nietzsche verdadeiramente morreu, ao que sei de morte trágica em pleno estado de loucura. Entretanto quero deter-me a outra afirmação: e Deus, morreu?
            Sim, Deus esta morto, e não há nem ao menos lembrança da sua existência em muitos meios sociais. Tomado pelo pensamento de Nietzsche eu digo mais, morreu primeiramente onde Ele deveria ser vivo escancaradamente: nas igrejas e meios religiosos. “O cristianismo morreu com o seu fundador pregado na cruz.” Discorda, por quê?
            Digo sem medo de errar, digo partindo de experiências e de convivência: Deus morreu. Eu, assim como Nietzsche reafirmo, Deus morreu assassinato por nós homens. Mas não falo da morte substancial, da morte real do Criador Onipotente, não declaro a morte do Abba, do Paizinho de Amor... Não... Declaro a morte moral de Deus e o surgimento de deuses que são pregados como o Deus.
            No pensamento cristão, os seguidores de Jesus devem ser outros Cristos na humanidade. Continuar os ensinamentos do seu fundador. Se assim não é, logo Cristo não vive entre nós.  Cristo morreu e não Ressuscitou.
            Acredito que ainda há, mesmo que pouco, comunidades que buscam realmente viver o propósito de Jesus, o lindo ideal cristão de amor e fraternidade. No meu dizer acima eu exagerei, disse como se não houvesse mais ninguém comprometido com o ensinamento cristológico. Exagerei para entenderem. O exagero reflexivo. 
            Tenho alguns amigos clérigos, outros candidatos a clérigo. Em um ou outro eu consigo ver vestígios da existência de Deus. A maior parte dos seguimentos religiosos, como disse Nietzsche, colocam cargas pesadas sobre os fiéis, cargas que nem mesmo eles conseguiriam carregar. Incoerente a alienação religiosa, não?
            Penso não precisar lembrar, mas lembrarei a vida moral da Igreja Católica que cada dia me arrebata mais aos infernos do que aos céus. Não vou concorda com Nietzsche que acreditou que a Igreja Católica seria extinta, mas creio que ela já acabou. Acabou com o essencial de seu carisma. É uma das grandes assassinas de Deus.
            Nos últimos meses temos nos chocado com os noticiários de pedofilia aqui e lá. Aqui na paróquia e lá no Vaticano. Isso é terrível é lógico, mas infelizmente não é o pior, é a pontinha do grande meteoro que vem a todo vapor manchar não só a vida moral da Igreja, mas destruir famílias e abalar a fé de gente que ignorantemente crê no deus das vidas da doente Igreja. 
            Nas palavras de Bezerra de Menezes: Se cremos na Igreja como mãe, e no papa como guia infalível, certamente teremos que crer em dois deuses, um na terra e outro no céu. Não estou dizendo que ele não possa errar, pois erra. Porém quero dizer não é justo ensinar que ele é soberano quando ele é um homem como nós, limitado ao erro e ao acerto, é a sua condição humana não diferenciada do resto dos mortais.
            Quando vou rezar o meu credo, digo firmemente que eu creio em Deus Pai todo poderoso criador do céu e da Terra, em Jesus Cristo, seu filho e Nosso Senhor, mas me calo quando é ora de professar que creio na Igreja Católica. Já acreditei, hoje tenho a razão para não professar tal mentira. Deus agoniza no seio da Igreja Católica, inegável. 
            Se olhamos para o inicio do cristianismo, se nos detivermos atentamente as primeiras comunidades, a qual relata a Bíblia e outros escritos apócrifos, concluiremos sem dificuldade que o cristianismo está extinto. O que temos no geral são seguimentos religiosos que se dizem cristãos, distorcem os ensinamentos de Jesus, alguns por interesses próprios, comodidade, outros por conveniência econômica ou social.
            Pensando assim, na realidade dos que se dizem “crentes” (credores de Deus), Deus morreu ou não? O Cristianismo morreu ou não com Jesus na cruz? Com fé, se Deus não morreu em breve morrerá. 
            Não sei se estou errado, mas Deus Vivo me perdoei se eu estiver. Temos encontrado a existência de Deus mais em convivência não-religiosos do que em templos propriamente ditos. Alias o templo sagrado mesmo é o coração e a mais bela religião é sem dúvida é a família. 
            Deus em seu aspecto essência de Criador não deixará de existir se eu crer ou se eu não crer. A existência dele não depende da minha crença mas de sua substancia. Porém, Ele deixará de existe na humanidade quando eu não testemunhar a sua existência. Logo, nessa segunda opção, a existência de Deus ou a sua morte depende de nossa resposta moral.

ÍTALO ALESSANDRO – Em luto pela morte moral de Deus. 
Ítalo Alessandro Lemes Silva é graduado em filosofia, cursando a especialização em Filosofia Clínica e Docência do Ensino Superior.

Comentários

  1. Ao me deparar com esse post me remeto automaticamente à imagem do menino que conheci em 2003 e vejo que hoje é um homem que soube transpor as barreiras de si mesmo para ter uma visão mais pura à cerca dos fatos da vida iluminado pela filosofia.

    A morte de "Deus" colocada por Nietzsche, a meu ver, remete à morte que o próprio Jesus veio nos alertar: Deus está conosco! Não existe somente nos céus e nos templos, mas está no meio de nós!
    A compreensão de muitos que o céu e os mistérios são para serem vividos além-vida pode estar errada uma vez que foram formulada por vivos e que, por questão de lógica, não morreram.

    Sendo assim, Nietzsche ressuscita o Deus de Jesus: O Abbá que está conosco e que tudo sob a ótica do Amor, pois ele mesmo é O Amor! Como ouvíamos das pessoas mais humildes: "Deus é simples! Nós é somos complicados!"

    Chega dessa compreensão de Deus além Terra! E pensemos em um Deus conosco, assim como o nome diz o nome "Emanuel":DEUS CONOSCO!

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  2. obrigado pela observação quanto ao meu estado de progressão/regresso.
    E muito bem colocado a questão de um deus visto distante do seus crentes.
    Abraço

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