Conversando com Deus


                Pretendo aqui, com minha capacidade limitada, considerar alguns pensamentos mostrados por nosso querido professor Lúcio Packter no dia 13 de maio de 2011, onde em uma manhã feliz partilhamos filosoficamente do que vem a ser a conversa com Deus.
                Diga: como conversamos com Deus? Como sei que ele me escuta? Se for uma conversa também há resposta, como sei que sou respondido? Oração é humana ou divina? Para pensarmos nas possíveis respostas as estas questões proporia mais perguntas: O que é conversar? Qual a finalidade da conversação?
                Estamos acostumados com coisas práticas. Conversar no cotidiano fundamenta-se muito em transmitir ao outro as suas idéias, e poucas vezes em escutar o outro. A definição literal de conversa seria a simples troca de palavras. Porém usando da reflexão da filosofia da linguagem poderíamos entender conversa como a troca de idéias, pensamentos. Já que a palavra traz em si significados que podem ir além da palavra propriamente dita ou escrita. Assim definiria radicalmente a conversa como o exercício de fala- escuta e escuta-fala.
                A intenção não é dissecar o termo e dar uma resposta cientifica para o que seja “conversa”, mas com isso introduzimos a indagação: O que é a conversa com Deus? Não serei capaz de responder a isso, porém vou problematizar a questão, quem sabe você não consiga encontrar alguma resposta.
Algumas pessoas desenvolvem ao que tenho chamado de identidade espiritual. Dentro dessa formação de identidade espiritual poderá haver inúmeros determinantes dessa formação. Tradição, realidade social-cultural, religiosidade, buscas, pré-juizos, emoções...  Entre estes possíveis determinantes se encontra a conversação. 
Acho interessante é a ligação que observamos entre a identidade espiritual e outras características que a pessoa traz em sua historicidade.  Por isso lhe pergunto: qual foi a formação da sua habilidade de falar-escutar?  Gritarias? Repetições? Faltou-lhe ou sobraram ouvintes?  Silêncio?  Já pensou que essas características podem ter ligações com a sua maneira de conversar?
Há pessoas que sabem conversar com Deus pelo silêncio. Não no silenciar das palavras verbalizadas, mas no silêncio de tudo aquilo que as cercam.  Pessoas que falam com o silêncio, escutam com o silêncio e extraem concentração para aquilo que chamaram ou não de oração. Ainda há os que o “silêncio atrapalha” a concentração. E poderão necessitar de muito barulho para poderem se ligar em Deus.
Não me arrisco afirmar que é o silêncio a melhor conversa, devemos respeitar o fato de cada um ter a sua historicidade, ou seja, a identidade espiritual pode ser individual e cada um desenvolver a sua forma de falar com Deus. Aqui lembro com tristeza que existem algumas denominações religiosas que padronizam cruelmente a forma de conversação com o Ser Divino e reduz a parte no todo.
Você conversa com Deus?
Alguns diriam: “Converso, a minha maneira.” Outros ainda: “Sim, e ele me responde sempre, nem sempre eu consigo perceber de imediato, mas que Ele responde sempre eu sei que responde.” Diriam também: “Sim. Minha avó me ensinou a rezar quando eu era muito pequeno.”  E: “Tenho dificuldade imensa, mas sempre me esforço para concentrar.” Alguns dizem: “Converso 24 horas por dia”. Ainda: “Não converso, mas tenho fé.” Existem pessoas que acreditam em Deus, porém jamais “bate papo” com Ele, e pode não fazer diferença na fé dele, apenas não fala com Deus.
Como você sabe que Deus te escuta? Tive um professor que repetia sempre: Deus diz pela realidade. Essa é uma maneira diferente de acreditar que escutamos Deus. Pode ser que nenhum de nós que agora lemos isso tenhamos recebido um anjo em um raio de luz e escutado uma voz mística, todavia afirmarmos que já escutamos a Deus pelos fatos, acidentes, “coincidências” e etc...
Digamos que você comungue da minha idéia de que em nossa historicidade tudo fala. Logo, ao que devo dar credito? É ao que gritar mais forte? O professor Lúcio nos diz que a vida é como uma música. O mais importante não é o som do instrumento que soar mais alto, mas o conjunto dos sons que entre altos e baixos, suaves e agressivas notas formam a melodia que dá a música a sua beleza. Eu acrescendo o raciocínio de que apesar de usarmos de notas iguais somos capazes de compor uma música única. 
Alguns conversam com Deus uma dialogo instrumental, não entram em sua subjetividade, falam com Deus sobre tudo e todos, menos de si.  E você? Como aprendeu a falar com Deus?
Temos os que aprenderam que Deus é o tenebroso, inflexível e impenetrável então para relacionar com Ele devo ter uma postura muito respeitosa, somente devo me dirigir à Deus com cerimônias de humilhação pois diante d´Ele sou um “miserável.” 
Outros aprenderam que Deus é um grande supermercado onde busco o que preciso, só não posso esquecer-me de agradecer no caixa para não parecer muita ingratidão.  Esses geralmente freqüentam o supermercado “Pede e recebereis”, muitas vezes também conhecido como igrejas. 
Há os que aprenderam que Deus é um pai muito bãozinho e tudo entende. As vezes nem sentem necessidade de falar com Deus, como aqueles filhos que passam dias e dias sem trocar uma palavra com os pais pois a mesada ele já passou mesmo.
Os que falam mais de Deus do que com Deus, os que não falam com Deus, os que vêem a oração como uma ação humana que parte do humano porém não atinge o Divino...Os que rezam, os que oram... Os que se inclinam a Meca, os que adoram a hóstia consagrada...  Os que sintonizam às forças da natureza... Orantes ou não-orantes... Em fim, aqui todos compreendidos e respeitados na sua subjetividade.
               

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