Eu deveria me afastar da Eucaristia?

“Em verdade vos digo que os publicanos e as
prostitutas vos precederão no Reino de Deus”
(Mt 21, 31)


Porque eu deveria me afastar da Eucaristia? Eu, pecador confesso, ainda não fui convencido dessa ideologia alienante da Igreja. Foi me dito que o Sr. Santo Padre o Pároco, mais uma vez andou “dando com a língua nos dentes”.
Na missa desse domingo, seis de novembro de 2011, foram distribuídos na querida paróquia alguns panfletos orientando os fieis quanto a proibição imposta pela Igreja do recebimento da Eucaristia aos “portadores de pecado mortal”. Ainda por bocas alheias eu soube que o Sr. Pároco reforçou em discurso que os rotulados de pecadores poderão serem retirados da fila da comunhão naquela matriz paroquial.
A verdade é que a Igreja de fato em seus documentos orienta aqueles que estão distribuindo o Pão consagrado a não permitirem que pessoas que “vivam em pecado público” não participem da comunhão eucarística.
A pergunta é: O pecado é objetivo ou subjetivo? Essa questão filosófica nos renderia horas e horas de análise, e certamente chegaremos a afirmações muito subjetivas. Mas quero me deter no fundador do cristianismo, focarei nas palavras de quem deveria ser o fundamento da fé cristã. Jesus.
O Mestre foi inclusivo e compreensivo, pautado sempre no amor, que é a raiz de sua missão. Conviver com os julgados pecadores foi a grande barreia encontrada por Jesus na aceitação dos religiosos e políticos de sua época, e tal fato o levou a morte de cruz. O que se proclamava filho de Deus se tornou blasfêmico ao fazer questão dos oprimidos.
A Igreja Católica mais uma vez em contradição com Jesus. Certamente Cristo repediria a esses padres e bispos a frase dita aos chefes do povo: “...os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21, 31)
Infelizmente os nossos da Igreja se afastam do idealizado por Cristo. O pároco em questão já ameaçou de negar-me a Eucaristia, porém isso não me intimida a negar o direito me dado pelo próprio Jesus.
Santo Afonso escreve na obra “As práticas de amor a Jesus Cristo” a frase de Santa Catarina: “Jesus é uma fogueira ardente”, completa Afonso de Ligório: “Se tenho frio me afastarei do fogo? O pecado me esfria e Jesus arde no calor da Eucaristia.” A coerência lógica feita pelo santo doutor da Igreja reforça o meu desejo de me aquecer no calor do Santíssimo Habitante dos sacrários das friezas das contraditórias igrejas.
Digo a ti, Santo Padre o Pároco, por acaso és maior do que o Mestre? Como antecipa o julgamento que somente é cabível ao Supremo Deus? Quais palavras devem ser eloqüentes em minha existência, as tuas repressivas ou as inclusivas de Cristo? Não pensa que posso estar mais em paz com o plano de Deus do que você?
A minha consciência de fé me faz caminhar de cabeça erguida rumo a Cristo, Ele veio para os pecadores. Novamente vem a cada missa pela Eucaristia para aquecer a minha existência. Em Jesus me sinto amado e acolhido, diante de vocês chefes eclesiais incoerentes eu me sinto sofridamente injustiçado. Escolhi a Cristo e não a vocês.
Busco freqüentemente a Eucaristia, e louvado seja que existem igrejas e padres que me permitem participar da presença de Jesus Inclusivo. Assumir a minha existência me aproxima ainda mais do propósito de filho de Deus autêntico e resolvido.
“Eu vim para que todos tenham vida...” (Jô 10, 10) Todos é um termo geral e não particular. Ou seja, o “todos” dito por Jesus me inclui e te abrange, não condiciona privilégios, ao contrário abarcar todos nós filhos amados de Deus.
“Estou compreendendo que Deus não faz acepção de pessoas. Ele aceita quem teme e pratica a justiça, independente da nação a que pertença” (At 10,34-35) Santo Padre o Pároco, muitas prostitutas o precede, muitos gays, muitos casais “amasiados”... não duvide disso pois é o oportuno Jesus que diz...
Muitos destes julgados temem e praticam a justiça e por mais que a essas picuinhas ideológicas queiram os afastar do amor do Pai são insignificantes, pois foi Deus que os escolheu, esta por eles (por nós). A Eucaristia (Jesus) é pra esses, para nós excluídos pelos pré-juízos dessa Igreja incoerente ao qual vós, Pároco dos Párocos, tem representado com grande amargo.
Por fim protesto mais essa contradição: Como comungar do Redentor é receber a sua própria condenação? Seria imaginável sentir sede bebendo da Água da vida? Como se pode ter fome comendo o Pão dos Céus? Como o todo não é maior que a parte, essa opinião ideológica é um fragmento infeliz da belíssima espiritualidade que é o cristianismo e logo não será maior do que meu anseio eucarístico.

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