Homofobia na escola - Dia mundial contra a homofobia (Artigo Jornal DM)

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Homofobia na escola Dia mundial con   tra a homofobia

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Na História da Humanidade toda construção ideológica, para ser destruída, necessita de outra força ideológica de combate.  Geralmente tal combate se faz por um processo de perdas de costumes e o reciclar de valores sociais. Logicamente isso gera conflitos.  
Nossa cultura teceu ideais massacrantes da sexualidade, e hoje, diante da necessidade de reavaliação desses paradigmas é natural encontrarmos resistências de caráter ideológico. Porém não podemos aceitar tudo com a simples justificativa de que isso é uma verdade absoluta fruto da tradição cultural e que simplesmente deve-se engolir.
Como docente constantemente estou em contato com jovens e adolescentes, isso me certifica de que tenho relação com o retrato de uma sociedade futura e que tem sofrido o desconforto dessa aceitação do novo. Criticando a sociedade e percebendo o entusiasmo homofobico presente na escola estou certo de que não podemos silenciar e concordar com o cultivo cultural de pessoas criminosas, podemos e devemos fazer intervenção para que possamos crer em uma evolução moral-social.
Atualmente no Brasil inúmeras pessoas sofrem de homofobia social, tais violências em seu ultimo estado provocando a execução de inocentes. Contudo quero fazer a reflexão quanto a violência moral construída por brincadeiras sem graças de preconceitos muito comuns na rotina da escola e que perpetua essa tradição de homofobia. Considerando aqui que a sociedade é reflexo da escola e o contrário é equivalente.
O padrão machista/feminista presente nos termos e nos xingamentos dos estudantes é ignorado por muitos colegas na educação, alguém já escutou o habito comum entre as crianças e adolescentes de tentarem ofender uns aos outros com o adjetivo chulo: “viado”? Essas tais brincadeiras na prática tem produzido pessoas depressivas e infelizes.  
Já presenciei até mesmo colegas professores se referirem a estudantes partindo de estereótipos: “aquela bichinha” ou “aquela sapatão”. Não vou entrar no mérito ético, entretanto confirmando disso como um sinalizador da gravidade do preconceito sexual presente no convívio de estudantes e professores no ambiente educacional eu acredito que é preciso reavaliar posturas e recordar o futuro de uma tolerância social que idealizamos.  
Certa vez tive que intrometer com medita educativa quando encontrei na sala de aula um aluno sendo agredido verbalmente pelo simples fado de seus gostos musicais qualificarem o que foi predeterminado como “música de meninas.” Não me sai da mente o choro frágil e sofrido daquele que era o mais aplicado nos estudos e um alvo frágil de um machismo ridículo que usa o outro para se auto afirmar no seu meio.
Se não queremos uma sociedade preconceituosa e doente psicologicamente nós devemos analisar a escola como o local ideal para debatermos o assunto. Temos anunciado o processo lento e necessário da liberdade sexual, o bullyng também tem sido pauta constante nos debates educacionais, trabalhar o combate a homofobia é unir essas duas realidades. Já não é possível mais tratar a descoberta sexual como proibição e repressão.
Abordar a homofobia na escola não é questão de oposição aos valores religiosos, é antes de tudo, uma reflexão de saúde, direitos humanos e realismo. A pessoa precisa compreender desde a sua formação escolar que é preciso aprender a ter tolerância com as diferenças, não importando a cor da sua pele, sua condição econômica, sua sexualidade, se homem ou mulher, crente ou ateu...
Todo assunto trabalhado na escola não poderá ser pautando em uma imposição de verdades, por isso tratarmos a homofobia na escola é colocar o assunto na mesa para uma compreensão cientifica social com o objetivo maior de criar pessoas críticas e que por mais que pensem diferentes podem se respeitar e conviver bem.  
Se na escola devemos criar homens e mulheres críticos, prontos para bons hábitos no mercado de trabalho e na vida, é hipocrisia correr da necessidade de debater a homofobia como um problema social.  Ainda é urgente que cada um dos profissionais da educação se comprometa em extinguir essa ideologia que tem truncado o psicológico de muitos e tomado contornos dramáticos.
Nesse 17 de maio, onde celebramos mundialmente o Dia Contra a Homofobia, vamos propor o atormentar claro e transparente da tolerância entre as diferenças. Pensar e ser diferente faz a riqueza da nossa cultura mista e bela. Não saber conviver com a diferença suscita uma sociedade decadente e desumanizada. Se você tem esperança de uma sociedade melhor: No território escolar vamos nos comprometer com isso imediatamente, sabendo que o social lucrará muito com isso.
(Ítalo A. L. Silva, trabalha atualmente na Sectec, lotado na educação profissional com a Integração Escola-Empresa do Centro de Profissional de Anápolis - Cepa, onde também é editor e redator do Informativo Digital Cepa, coordenador de tutoria da Rede e-Tec Brasil / MEC, ocupa a cadeira de professor de filosofia e sociologia no EBEP do Sesi-Senai. e-mail: italo.filosofia@gmail.com)

Comentários

  1. Formidável seu artigo! Parabéns Professor Ítalo ! É um assunto que todos nós professores devemos discutir em sala, tendo em vista essa eminente transformação social que interpela a todos, principalmente os docentes.

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