“Dai a César..." O poder político e a interferência de convicções pessoais no bem comum

Coloco-me a escrever esgotado com a ignorância de muitos. Desde a última terça, dia 17 de dezembro, quando foi declarada oficialmente a “derrota” da PLC 122, tenho lido nas redes sociais postagens horrendas e ofensivas quanto o assunto. 

O PLC 122 era um projeto de lei que incluía a discriminação por orientação sexual, por identidade de gênero, por gênero, idosos e pessoas com deficiência na lei anti-racismo. Algo extraordinário e necessário. Algumas das interpretações do texto que tendiam a uma inversão, como a suposta intransigência com a liberdade de expressão, já havia sido trabalhada e revista em vários debates ao longo destes 12 anos de luta. 

Na internet germinou inúmeras comemorações de religiosos com gritos de vitórias e apontamentos de ofensas ao senhor deputado federal, um dos principais defensores da PLC, Jean Wyllys. Como por exemplo: “chupa Jean Wyllys”, e coisas similares. 

Falo aos religiosos do tipo intolerantes. Esse tipinho que expõem suas opiniões criminosas em nome de uma liberdade de expressão. Isso sim me incomoda e pontuo minha “intolerância” com tais retalhamentos por palavras.  Ridículos, estúpidos, otários, intransigentes, criminosos... As torturas medievais continuam. Agora a Igreja foca no massacre psicológico com seus domínios ideológicos. "Dai a César..." Ou seja, cuidem dos vossos covis e deixem o Estado trabalhar para o bem comum. Bando de hipócritas. A Igreja Cristã, ao que conheço, é o maior cultivo de gays de sexualidade problemática na nossa atualidade e fica agora, na pessoa de padres e pastores estúpidos, bancando um moralismo impositor. Entenda que o direito individual de um não fere o do outro. O que fere e a intransigência intrometida de vocês.

As convicções de um grupo, por mais que o grupo seja grande em número ou influência capitalista, não pode exercer interferências ao poder político. Isso cabe pela visão dos dois polos do assunto, não é favorecimento das minorias e sim oportunizar por meio da criminalização que cada pessoa seja respeitada sem qualquer opressão. Francamente aqui reside minha indignação, muito além da tristeza em perceber que não somos um estado que prima pela igualdade e que essa chamada “bancada evangélica” interfere nas decisões comuns do povo brasileiro com suas bandeiras tendenciosas. 
O que muito entristece, e como brasileiro me angustia, é que a derrota da PLC 122 representa, para muitos, a vitória do preconceito institucionalizado. Representa ainda o quanto é fraca e mesquinha a política nacional que segue em quedas de braços entre grupos e não em foco ao bem comum da pessoa humana.

Entre as tolices compartilhadas disseram que a preocupação com um projeto de lei que incluiria a discriminação da pessoa em outros aspectos não contemplados na lei vigente antirracismo, era perda de foco na saúde, educação e segurança. Tal afirmativa demonstra um conhecimento jurídico e social muito restrito as próprias convicções, caso haja algum estudo básico de gênero e igualdade perceberá que é um princípio básico de educação ética que as pessoas se tratem com igualdade e tenha oportunidades iguais de um convívio social saudável. Tratar a equidade de gênero e identidade sexual é garantir saúde psicológica e física (talvez não seja necessário lembrar quantas mentes doentias vítimas da repressão que sofrem no campo social e quantos assassinatos e suicídios enraizados nisso). 

E por fim a segurança da integridade de um ser humano que necessita ser respeitado independente de sua identidade é expressa diariamente na mídia. Pesquisas recentes tem colocado o Brasil em primeiro lugar entre os países onde mais cresce o índice de ataques e assassinatos motivados pela intolerância as diferenças. 

Os religiosos ativistas agora comemoram uma vitória que claramente é resultado de grandes lutas em intrometimento as questões do Estado com manifestações e pregações, e talvez pela força das suas orações ao deus maléfico que condena e reprime suas próprias criaturas (esse tipo de divindade consensual entre muitos deles). Com por exemplo o Padre Paulo Ricardo (que infelizmente conheci pessoalmente em um congresso) e tem brilhado na mídia com seus discursos ativistas contra projetos de leis que focalizam garantir à pessoa humana a oportunidade de uma sociedade de direitos individuais sem repressão religiosa-ideológica. Religiosos radicais e ativistas religiosos atrapalham o progresso brasileiro. 

É interessante como é mesquinho esse grupo de cobras religiosas, ainda em exemplo do padreco Paulo Ricardo, me parece um católico intolerante à diversidade religiosa, faz discursos alfinetando aos evangélicos pentecostais e quando é para atacar os homoafetivos se abraça a eles.  

Pessoalmente encerro um ano muito triste com isso... Não sei onde essa história vai parar, não sei acreditar em expectativas de um Brasil melhor onde as convicções religiosas e financeiras dos políticos mandam mais que a própria democracia. Quero ser otimista, mas vindo dessa bandidagem que nos governa e que exala a intolerância a diversidade é complexo alimentas os sonhos de uma sociedade mais bela.  

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