Uma carona com a popularidade do ditador africano

               Foi inaugurado, nessa última quinta-feira (20 de fevereiro de 2014) uma das principais obras da prefeitura de Anápolis, o viaduto que faz o cruzamento das Avenida Brasil e Avenida Faiad Hanna. Entre tantos nome a ser escolhido o empreendimento foi batizado com o nome do sanguinário líder político africano Nelson Mandela.
               Entre os mitos que envolve a figura do presidente africano que lutou contra o racismo em época do Apartheid só poderíamos concluir que tal homenagem foi prestada em nome de um populismo. Pegando carona com o populismo de Mandela o viaduto anapolino recebe tal nome como uma forçação de popularidade política e não em honra da raça negra.
               Se a intenção foi homenagear Mandela como uma celebração da luta contra o racismo eu acredito que o mais conveniente era utilizar um dos nome nacionais que participaram de movimentos sociais no Brasil contra a discriminação de raças, como por exemplo, o outro lendário personagem Zumbi.
               Nelson Mandela fez valer a máxima marxista de que para que haja mudança social é preciso aniquilar a vida de grande parte da população (conflitos, guerra civil, revolução e transformação). A verdade é que temos contradições entre o personagem histórico e o personagem mitológico construído pela mídia. A contradição continua ainda mais desprezível quando para simbolizar os direitos humanos você usa um ditador comunista que vitimou inclusive crianças da família real, construiu uma rede do crime organizado, colaborou com a condição de estratificação social africana e muito mais. A intenção aqui não é entrar no mérito do não-mérito de Mandela mas entender a razão dele ser louvado em Anápolis.
               O que é interessante que o fato de o viaduto em Anápolis receber o nome Mandela é mais um sinal de contradição dentro da administração petista. Enquanto o governo do PT nacional tem usado a mídia para dizer que as manifestações violentas geram conflitos negativos e sem efeito de mudança nós temos na administração do PT em Anápolis a exaltação de um líder político que torturou, prendeu e matou em nome de uma mudança social. Será que o PT realmente quer que os manifestantes populares aprendam com Mandela como se faz revolução?
               Por hora o então prefeito Gomide é pré-candidato ao governo de Goiás e vai precisar pegar uma carona com a popularidade de Mandela para poder tentar se eleger no senário estadual. Lamentável essa política criminosa de foco no poder onde para manter no domínio precisa ser um força popular e não um sábio administrador da polis (cidade-estado). Política assim se faz por convicção pessoal por interesses egoístas e não por visão do bem comum.
               O inaceitável populismo do PT quer simplesmente maquiar as cidades e em nome disso ganhar popularidade com ações como essa de associar um herói imerecido com uma obra pública. Temos muitos prédios públicos e praças municipais com nomes de gente indigna de tal. Muitos coronéis, políticos, carrascos da ditadura militar brasileira e empresários (donos do poder econômico) são homenageados as custas dos impostos do povo que os mesmos exploraram. Já que a pretensão é de homenagear alguém que lutou por sua ideologia não me assustarei quando inaugurarem uma escola municipal com o nome de Adolf Hitler.

               Com tantos nomes no estado de Goiás, com tantas personalidades anapolinas eu fico me perguntando de onde saiu o nome para o viaduto em Anápolis. Houve consulta a um historiador? Certamente não. Por mais que eu tente justificar essa palhaçada só é possível interpretá-la como uma ação petista-populista de ignorância. Espero mesmo que não saibam quem foi o Mandela tirano e estão apenas usando por ter sido mundialmente o termo mais buscado no Google no ano passado. Eu fico indignado e reprovo qualquer ação de política hipócrita. 

Comentários

  1. Hehehe... Óbvio que nenhum historiador foi consultado para a escolha do nome. Mas o que mais me indigna é o "Apartheid" imposto ao pedestre neste viaduto. Quase impossível atravessar a pé, além do risco iminente... E "Salve Mandela"!

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