Preleção da intolerância sangrenta...

Eu fico pensando... será que essa gente pensa? Inevitável não retomar a frase iluminista atribuída ao princípio da defesa de liberdade de expressão no espaço democrático: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". O discurso não é uma expressão religiosa e sim uma clara retórica de manipulação de massas em nome do etnocentrismo fruto da intolerância e estupidez humana. Preleção ao crime. 

Alguém avisa para esse pastor que a igreja dele e ele próprio estão submetidos a Lei e a mesma tem a previsão de liberdade religiosa e liberdade de expressão? Além de intolerância com o direito de manifestação política e ataque aos acadêmicos e intelectuais, é intransigente com as outras religiões. O chefe da bandidagem também expressa desrespeito ao catolicismo quando ironicamente diz: “eu deixei o Bento XVI entrar dentro de mim e fiquei todo católico...” (caberia algumas interpretações quanto a disputa entre os cristãos protestantes e suas diversas ramificações com as outras linhagens do cristianismo... mas deixemos para depois). Há ainda o ódio nítido e especifico as religiões de matriz africana (que como aponta estudos geralmente o ataque a tais manifestações religiosas possui um vínculo com o racismo). 

No relato, hipoteticamente, diz ter participado ainda do crime do policial que negligenciou a Lei em nome da sua fé cristã. O descritivo parece ser falso porém não podemos duvidar da capacidade dessa gente de invasão do espaço do outro se levarmos em consideração os inúmeros registros de depredação a casas religiosas de candomblecistas e umbandistas. 

O cara se propõe a liderar um grupo de adolescentes (após ter tentado convencer um outro grupo, que no uso do bom senso, se negou a participar da proposta de “dar um BO no capeta ali...”) para realização da ação criminosa. Isso é, na minha leitura não especialista, a formação de quadrilha no uso de incapazes (menores), ele mesmo assume que é melhor tratar do assunto com gente "simples" (entenda por ignorantes-desinformados). Ele mostra saber a vulnerabilidade dos adolescentes em comprar discursos ao atender a rebeldia tão comum nessa fase da vida. 

O criminoso da pesada diz aos fieis que só haverá manifestações de outras religiões e/ou outras ideais políticos "se você quiser". Ou seja, a maioria de “crentes” poderá se opor as minorias com “autoridade” segundo as instruções dele. O ‘lobo em pele de pastor’ não entende nada de justiça democrática e óbvio que é doutor na oratória da opressão aos grupos minoritários. Ele usa ainda a frase: “aqui é autoridade”. Fazia tempos que eu não escutava uma elaboração tão intolerante... “BUSCA E APREENSÃO DO CAPETA?” Absurdo, como já argumentado por outros, o capeta que ele diz faz parte da crença dele e não compõe as entidades das religiões ao qual ele ataca... 

Creio que seja necessário que o vídeo seja conhecido e analisado no poder do discurso nele contido para que haja compreensão do ódio alimentado e reproduzido por essa organização criminosa que leva o nome de religião. Religião, no que aprendi, significa religação e um discurso de ódio não pode ser chamado de religioso, o termo mais adequado não é outro se não: criminoso. É fato que esse sofistas não merece ibope mas sim uma articulação capaz de colocá-lo na cadeia como forma de defesa social. Um líder monstruoso assim significa a proliferação do ódio e ataque constante aos grupos minoritários. Gente assim leva o sangue de inocentes (suicidas e assassinatos) vitimados pela intolerância que não permite espaço se não para sua própria palavra. 

Me encho de desespero e medo ao ouvir tudo isso... o meu desejo é de esquecer e continuar a minha utopia de que a sociedade tem se conduzido para um itinerário melhor e mais humano. Mas no atributo da minha sensibilidade cada palavra dessa preleção agora martela em minha mente crítica e sangra-me a indignação. A gente que se colocou na academia e na sala de aula para pesquisar, analisar e pensar a sociedade, ao ver um registro dessa monstruosidade, fica tomado pelo desespero do que há de vir nos próximos capítulos dessa nossa História sanguinária. Por mais humanismo contra a manipulação e a intolerância vamos desconstruir esses discursos e elogiar os grandes nomes da humanidade... Em favor da liberdade, em todas as suas instância, não vamos confundir pregação religiosa com retórica criminosa de manipulação de massas... O outro pode pensar diferente de você e o que te cabe por obrigação é simplesmente o respeito.



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