Uma vida não narrada por si fica à mercê dos desejos alheios. Para que serve a #psicanálise? A resposta direta seria: como território de escuta. E assim, ao se narrar, repetir e reeditar, a pessoa pode reconhecer o que, comumente, permanece inacessível no além do óbvio. Na psicanálise, ao dar dignidade ao funcionamento singular e único, contraria o gesto de instituições que buscam o ajustamento aos idealizados, a pessoa se vê e se fala, faltosa e criativa, considerando os próprios desejos. A finalidade não é regular pela culpa e pela vergonha, como os poderes fazem historicamente, ao contrário. Ao passo que aqui, no acolhimento clínico, toda queixa é necessária e importante, cada reclamação torna‑se roqueza e potência de trans-formação. Não é lugar de aconselhamento e orientação, como tantas opções por aí, e se lugar de receber contornos para "melhor se escutar" narrando 'o que' e o 'como' levou para o divã. Certame...
Qual é seu barrete preferido? De qual material? Você ainda usa barrete? Se não soubesse responder, talvez não conseguiu nem pensar sobre o que perguntei. Simples assim. Wittgenstein já sabia disso. O filósofo tinha uma máxima famosa: "os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo". E ele tinha razão. O nosso pensamento, a nossa compreensão da realidade, tudo isso é moldado pelas palavras que temos. Pelas palavras que aprendemos. Nós não conseguimos conceber nada que não consigamos nomear, de alguma forma articular. Mas aqui vem o incômodo: quanto mais rico é o seu vocabulário, quanto mais precisa é a sua linguagem, MAIS o seu "mundo" se expande. Você entende relações novas, experiências novas, nuances que antes não via. Não é mágica. É matemática mesmo. Mais palavras? Mais realidade. Menos palavras? Menos realidade. Então, se você quer falar bem, é preciso pensar expandido. E para pensar expandido você precisa de CONTEÚDO. De PALAVRAS novas. De sentidos ...