Uma vida não narrada por si
fica à mercê dos desejos alheios.
Para que serve a #psicanálise?
A resposta direta seria: como território de escuta.
E assim, ao se narrar, repetir e reeditar,
a pessoa pode reconhecer o que, comumente, permanece inacessível no além do óbvio.
Na psicanálise, ao dar dignidade ao funcionamento singular e único,
contraria o gesto de instituições que buscam o ajustamento aos idealizados, a pessoa se vê e se fala, faltosa e criativa, considerando os próprios desejos.
A finalidade não é regular pela culpa e pela vergonha, como os poderes fazem historicamente, ao contrário.
Ao passo que aqui, no acolhimento clínico, toda queixa é necessária e importante,
cada reclamação torna‑se roqueza e potência de trans-formação.
Não é lugar de aconselhamento e orientação, como tantas opções por aí, e se lugar de receber contornos para "melhor se escutar" narrando 'o que' e o 'como' levou para o divã.
Certamente a psicanálise não expulsa todos os fantasmas,
mas, na escuta problematizada, promove o diluir de angústias, assim,
ao reconhecer‑se nas contradições,
aposta no próprio desejo e sustenta as consequências.
Não se trata apenas de tratar traumas;
trata‑se de tratar com dignidade quem foi traumatizado.
A psicanálise não é ultrapassada, no contemporâneo, ainda oferece
a possibilidade de “elaborações outras”,
nas quais cada pessoa, no encontro singular "um a um",
se recria, como Nietzsche diz,
"como obra de arte".
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