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Mostrando postagens com o rótulo poesia

Ardor que me define me definhando - Poetizando

A velha lição helenista da filosofia cínica sussurra, como um grito distante, que a felicidade se encontra na renúncia, na arte de não possuir. É uma promessa velada que se apresenta como via para desvendar a angústia da ilusão da posse. No entanto, quem seria eu sem a intensidade das questões que valorizo? Aqueles dilemas familiares e anseios que, como raízes, se entranham em minha essência, tecendo a trama do meu ser. Há uma beleza inquietante em percepcionar que o preço da ataraxia, esse ideal estado de paz, parece ser o desprezo absoluto. Mas será o desprezo mesmo possível? Pode um coração pulsante abrigar a serenidade total, quando a vida é feita de nuances, de amores e desapontamentos que nos moldam com a força de um fogo que consome? Quem sou eu, senão um ser forjado na labareda da experiência, um pedaço vivo do ardor que me consome? O desejo e a frustração andam de mãos dadas, e é nessa ambivalência que a vida realmente pulsa. Cada paixão assume a forma de uma chama que não ape...

O brilho sedutor do palácio de incertezas - Poetizando

Os ciúmes assomam como sombras indesejadas, com suas garras delicadas e cortantes, ensaiando um balé que nos envolve em sua dança disfarçada. Ah, o amor livre, essa utopia que se pinta em cores vibrantes, e, ao mesmo tempo, carrega dentro de si os ecos do desamparo. A liberdade veste-se de um brilho sedutor, mas o coração... esse palácio de incertezas... ressoa com o temor de perder aquilo que se ama em uma tempestade de inseguranças. Em cada olhar que se desvia, um vulcão interno desperta. O ciúme é um velho conhecido, que nos sussurra em cada esquina: "será que te ama tanto assim?" No âmago dessa liberdade que buscamos, as sombras insistem em se manter abertas, como janelas que não conseguem se fechar, permitindo a entrada de ventos perturbadores. Há na liberdade a promessa de um amor sem correntes, e, ao mesmo tempo, a fragilidade de correntes invisíveis que se entrelaçam em nossos corações. E eis o dilema: como viver em um amor que se reinventa sem que as chamas do ciúme ...

Os planos que se escapam entre os dedos - Poetizando

Entre os dedos, os planos escorrem, fugazes como a luz que se esvai ao entardecer. Ah, em nossa mente, erguemos monumentos de intenções, cada passo cuidadosamente calculado, como quem desenha numa areia movediça. A vida que imaginamos é um palácio de cristal, resplandecente e gargalhante, mas o que dela se revela, no cotidiano complexo, é uma tapeçaria de sombras e luzes que nos desafiam a todo instante. E assim, nos dispomos a fazer planilhas, a delinear rotinas. Hábito enganador, o de crer que se detém o controle das nossas aspirações. Cada retângulo em branco, cada coluna meticulosamente preenchida, é um grito mudo para que a vida se encaixe nos moldes que criamos, uma aposta ensaiada que, no entanto, acaba sendo movida por uma música que não é bem a que pedimos para escutar. Escolher? Ah, é uma arte solene, mas, como a vida, é também um fardo. É preciso ter ombros, ombros robustos, para não só carregar o peso das decisões, mas também o que elas fazem de nós. As escolhas desenham em...