Uma vida não narrada por si fica à mercê dos desejos alheios. Para que serve a #psicanálise? A resposta direta seria: como território de escuta. E assim, ao se narrar, repetir e reeditar, a pessoa pode reconhecer o que, comumente, permanece inacessível no além do óbvio. Na psicanálise, ao dar dignidade ao funcionamento singular e único, contraria o gesto de instituições que buscam o ajustamento aos idealizados, a pessoa se vê e se fala, faltosa e criativa, considerando os próprios desejos. A finalidade não é regular pela culpa e pela vergonha, como os poderes fazem historicamente, ao contrário. Ao passo que aqui, no acolhimento clínico, toda queixa é necessária e importante, cada reclamação torna‑se roqueza e potência de trans-formação. Não é lugar de aconselhamento e orientação, como tantas opções por aí, e se lugar de receber contornos para "melhor se escutar" narrando 'o que' e o 'como' levou para o divã. Certame...