O paradoxo de ser sempre só ao mesmo tempo em que nos fazemos em relação ao outro revela a essência da existência humana: a solidão como núcleo irreversível de quem somos e a relação como moldura que nos desenha no mundo. Somos singularidades inteiras e inacabadas que dependem do encontro com o outro para expressar o que há de mais íntimo em nós mesmos. É na dialética entre o isolamento do "eu" e a comunhão no "nós" que a identidade encontra sua narrativa, mostrando que existir plenamente é sempre caminhar nesse delicado fio entre a autonomia e a alteridade.
Introdução: o que não se conta no jantar de família Imagine a seguinte cena: uma pessoa bem-sucedida, respeitada no trabalho, querida pela família, carrega consigo um segredo que considera inconfessável. Não é crime, não machuca ninguém diretamente, mas ainda assim provoca angústia profunda. Pode ser uma atração irresistível por pés, uma necessidade de usar roupas de látex para sentir prazer, ou uma fixação em situações específicas que fogem completamente do que aprendemos ser "normal" no amor e no sexo. Bem-vindo ao mundo dos fetiches - território que Sigmund Freud mapeou com coragem quando a sociedade vienense do século XIX fingia que sexo só existia para fazer bebês. Como observa o psicanalista brasileiro Contardo Calligaris em seu livro "Cartas a um jovem terapeuta" (2004, p. 89): "o que chamamos de perversão é muitas vezes apenas a coragem de desejar diferente, num mundo que exige que todos desejem da mesma forma monótona e previsível". Esta reflexão ...
amei a reflexão
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