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Ser professor - por Ítalo Silva

Sei que ser professor não é uma mera paixão para si mesmo. Transborda. ♥️ Não deve ser uma paixão pela vaidade do lugar de mestre absolutista que coloca as normas, doutrina com a sua verdade e controla os corpos: “pode/não pode ir ao banheiro... senta/levanta... fala/cala.” Ser professor é a estranha medida de mediar relações e provocar no outro o encontro em si de suas habilidades ao deliciar-se do prazer de relacionar com a sabedoria. Ser professor é uma atuação maiêutica - “parir das ideias”, ensinou o professor Sócrates. No apontamento de conteúdos ser professor é levar o outro para se ver naquilo que é estudado e nisto se reconhecer como pessoa histórica e social... Ser professor é contribuir com a transformação que é causada com o 'amor pela sabedoria.' Ser professor é ser o profeta de novos tempos de um mundo em transformação e das transformações de mundos. Vejo que a educação tem se configurado para novas possibilidades e permanecer conservador e inflexível significa se...

Religião e sociedade: breve ensaio das abordagens sociológicas e antropológicas

A religião tem um papel significativo na vida das pessoas, afetando a construção de valores, comportamentos e instituições sociais. No contexto brasileiro, essa influência é notável devido à diversidade crescente de práticas religiosas, marcada pela diminuição da tradição católica e pela ascensão de grupos evangélicos, especialmente os pentecostais. Este ensaio tem como objetivo analisar as interações entre religião, sociedade e cultura, utilizando diferentes abordagens teóricas que aprofundam essas relações. Com ênfase nas contribuições de pensadores como Max Weber e Karl Marx, além da importância da Teologia da Libertação e da análise de Émile Durkheim sobre a coesão social, buscamos entender como a religião continua a moldar, e ao mesmo tempo ser moldada por, contextos sociais e históricos. No Brasil, a sociedade é marcada por uma diversidade crescente de práticas religiosas, refletindo um profundo sincretismo cultural, caracterizado por um declínio do catolicismo e um aumento acent...

Café, infusão do agora - poesia

No silêncio da manhã, a água quente dança,   Encontra o pó, a história do grão silencioso,   Uma carícia súbita, um toque, um instante —   A ruptura suave da superfície, como a vida se revela. Deslizam por entre as moléculas da água   Os açúcares, os ácidos, a cafeína —   Todo um universo de aromas, na alquimia do ser,   Liberando óleos aromáticos que se esgueiraram do passado. E assim, no calor que envolve   Os fragmentos do dia que emergem em espiral,   O momento se infunde, dissolve e transforma —   A bebida, expressão do agora,   Mistura perfeita de sabor e perfume   Que entoa a canção da presença,   Enquanto filtra os ecos do mundo —   É no presente que se acredita e se sente   Toda a intensidade do que é essencial.  Um gole, e a vida respira:   As nuances da liberdade,   O gosto do instante,   A essência pura...

A simbologia da barata: medos banais e fantasias onipotentes em Freud e Lacan

O medo de baratas é um fenômeno que pode parecer trivial à primeira vista, mas que, sob a lente da psicanálise, revela camadas profundas de significados e complexidades emocionais. A obra de Sigmund Freud e as contribuições de Jacques Lacan nos fornecem ferramentas valiosas para explorar essas angústias aparentemente banais e as projeções que delas derivam. Freud, em *A Interpretação dos Sonhos*, exemplifica como os medos e fobias se manifestam, e um caso que ele observa é o de um menino que tem um intenso medo de cavalos. Ele argumenta que, na simbologia do inconsciente, o cavalo representa uma figura de autoridade, uma vez que remete à figura paterna. Freud diz que “uma fobia só pode ser entendida quando são vistos os laços da fantasia que a acompanham” (FREUD, 2006). Nesse sentido, o medo de baratas pode ser uma ferramenta de defesa semelhante, manifestando uma angústia mais profunda que o indivíduo não consegue expressar de forma direta. Quando analisamos o medo de baratas, podemos...

Afeto sem hierarquia: sexo

Na penumbra onde o corpo se desdobra,   encontro a trilha do prazer,   um caminho contrário às neuroses,   que erguem muralhas de hierarquia e poder,   como um eco distante, já não gesto meu.   O sexo, resposta visceral,   uma linguagem de instintos,   onde os corpos se instituem,   sem a opressão do olhar severo,   sem a contagem dos direitos e deveres.   Nessa dança crua,   onde a pele fala e se revela,   o desejo emerge como água de fonte,   refresca a alma faminta,   liberta os corpos do peso da exclusão.   Pois a cultura, com suas garras,   tenta capturar essa substância,   subjugar o corpo à fórmula do poder,   mas aqui, nesta entrega,   é a cidadania do vir a ser.   Não sou eu, mas o nós,   no instante em que a carne se une,   o eu se dissolve e surge o ser, ...

Sexo silenciando as neuroses

Em um instante de pausa,   quando o ruído da mente se silencia,   como um rio que encontra a calmaria,   começo a entrar no labirinto do prazer,   um caminho sem mapas ou vozes.   Nesse silêncio habitado,   as dúvidas se desvanecem,   as cogitações que giram e giram   sobre o olhar do outro,   se dissipam como névoa ao sol.   Aqui, no âmago do meu ser,   desperta a essência crua,   o desejo ardendo na pele,   sem a necessidade de aprovação,   sem os grilhões da expectativa alheia.   Cada toque é uma revelação,   um sussurro que diz: “Sou,   neste instante, exatamente quem sou.”   A carne se torna a linguagem,   a dança que não precisa de palavras.   E ao silenciar a neurose,   cada lado obscuro se acende,   cada risco um convite ao gozo,   uma entrega ao efêmer...

Sexo silenciando as neuroses

Em um instante de pausa,   quando o ruído da mente se silencia,   como um rio que encontra a calmaria,   começo a entrar no labirinto do prazer,   um caminho sem mapas ou vozes.   Nesse silêncio habitado,   as dúvidas se desvanecem,   as cogitações que giram e giram   sobre o olhar do outro,   se dissipam como névoa ao sol.   Aqui, no âmago do meu ser,   desperta a essência crua,   o desejo ardendo na pele,   sem a necessidade de aprovação,   sem os grilhões da expectativa alheia.   Cada toque é uma revelação,   um sussurro que diz: “Sou,   neste instante, exatamente quem sou.”   A carne se torna a linguagem,   a dança que não precisa de palavras.   E ao silenciar a neurose,   cada lado obscuro se acende,   cada risco um convite ao gozo,   uma entrega ao efêmer...