Quando analisamos cinematograficamente "Eddington" através da lente psicanalítica lacaniana, me parece que Ari Aster não apenas constrói alegoria sobre polarização política, mas oferece cartografia clínica das modalidades discursivas que estruturam o laço social contemporâneo em sua dimensão mais patológica. Sou levado a acreditar que o filme funciona como laboratório onde podemos observar como as quatro posições discursivas identificadas por Lacan - do mestre, universitário, da histérica e do analista - operam concretamente quando o simbólico que sustenta a civilidade democrática entra em colapso, permitindo que o Real traumático da impossibilidade de convivência emerja sem mediações fantasmáticas adequadas. Talvez seja necessário compreender que a pequena cidade de Eddington constitui-se como microcosmo onde o que Lacan denomina "discurso do mestre" - estrutura que organiza hierarquias sociais através da imposição de significantes-mestres que fixam ide...
A música "Meu disfarce" é da autoria de Carlos Colla e Chico Roque, sendo um clássico popularizada por artistas como Chitãozinho & Xororó e Fafá de Belém, e regravada por Bruno & Marrone e outros cantores sertanejos. Eu particularmente gosto mais da versão com a Fafá. Quando Fafá de Belém, nome artístico de Raquel Virgínia, canta "Meu disfarce", ela diz sobre os mecanismos contemporâneos da mascarada feminina e seus atravessamentos pelo imperativo de performance identitária. Nascida em Belém do Pará, região onde a exuberância amazônica convive com invisibilidades sociais profundas, a artista desenvolve uma poética que talvez revele como o "disfarce" não constitui engano ou falsificação, mas operação estrutural necessária à constituição subjetiva numa época que exige performances constantes de autenticidade. Sou levado a acreditar que essa música oferece material privilegiado para compreender como o que chamamos "máscara" pode ...