O marketing e o mundo como representação - à luz da Filosofia Clínica


            Cada ser humano tem a sua percepção de mundo. Inúmeras coisas poderão determinar essa representação, como a cultura, religião, fatores socioeconômicos e etc. Algumas pessoas percebem por seus sentimentos, outras por uma crítica altamente racional, outras talvez poderá mesclar entre dois ou mais tópicos da estrutura do pensamento. Por isso há um grande perigo em generalizar a forma das pessoas compreenderem a realidade.
            O uso do marketing geralmente se faz no objetivo de acertar o consumidor na sua maneira de ver, conhecer, perceber e concluir o mundo. Ou seja, os marqueteiros em sua maioria buscam primeiro saber “como o mundo parece” para o seu consumidor para depois buscar atingi-lo no fim desejado.
            Como há um grande perigo na ciência moderna, que é a generalização de termos sem considerar as verdades subjetivas, encontraremos vários anúncios publicitários com afirmações perigosas, como: “Quer ter liberdade use X”, “quer ter asas, beba Y” e assim por diante.
É preciso estar atento para não nos deixar seduzir por ideologias que não nos compreendem como únicos, ou por elas somos condicionados à feitos teóricos que não buscam nos analisar e sim nos inserir dentro de conceitos pré-formados.
 Encontramos na mídia, seja televisionada, audível ou impressa, afirmativas que podemos nos perguntar: Mas todo ser humanos reagirá assim? Essa “lei” cabe a todos?  Para fundamentar isso vou usar 3 anúncios publicados na revista Época do dia 13 de setembro de 2010.  

CPFL – Muito mais que energia.
O anuncio da CPFL começa 4 páginas antes de ser anunciado o nome empresa. Primeiro aprece a frase: “o homem não pode voar,” em contradição a figura mostra um rapaz de pára-quedas. Depois: “o homem não pode respirar debaixo d’água”, em contradição a figura de um homem fazendo mergulho no fundo do oceano com cilindro de oxigênio. Em seguida a frase: “o homem não pode voltar no tempo”, e mais uma vez a figura contradiz a frase retratando um vídeo de família antigo. Outra frase: “o homem não pode prever o futuro,” e a figura de uma sala de observação da terra por satélites e um meteorologistas fazendo a previsão do tempo. Em seguida a frase: ”o homem não move montanhas”, e a fotografia da queda do Muro de Berlim. “O homem não regenera o que perdeu”, e a contradição na figura de um paraolímpico correndo com próteses. “O homem não enxergar no escuro”, e a fotografia panorâmica de uma cidade a noite toda iluminada pelas lâmpadas dos prédios.
Por fim a cartada do marketing: “é só olhar pelo mundo para ver que a gente sempre pode fazer mais.” Em seguida um texto poético eleva a empresa em questão, entre outras coisas afirma: “A CPFL sonha mais e espera mais de si mesma. Por isso, busca fazer mais do que o mundo espera dela.”
Nesse anuncio notamos a motivação para a conquista de coisas que podem ser consideradas impossíveis. E em meio ao movimento motivacional há a elevação da empresa como quem busca fazer mais do que a sua obrigação.

Coca-Cola – Viva positivamente
A publicidade traz uma imagem de uma garrafa do refrigerante em meio a folhas, e a seguinte chamativa: “ontem fui planta, hoje sou pet.” A propaganda quer chamar atenção para uma inovação do produto que é uma embalagem até 30% à base de cana-de-açúcar, uma fonte renovável, ou seja, diminui a dependência do petróleo e emite menos CO², “além de ser 100% reciclável”, diz
Ainda nos dizeres da página encontramos: “um grande passo rumo à garra do futuro pra você matar a sede de ajudar o mundo.” Percebe-se aqui o jogo de marketing. Como os temas de aquecimento global, uso sustentável, preservação do meio ambiente, e etc, estão em foco, e as pessoas têm felizmente se conscientizando para isso, também temos encontrado muitas empresas usando nas suas propagandas essa questão de “amor ao planeta”.
            Se o mundo me parece como um planeta em risco, logo eu vou ser incentivando a tomar o refrigerante da garrafa “plantBottle” (foi o nome dado a garrafa pet com 30% originário da cana-de-açúcar.) A propaganda certamente atinge muitas pessoas preocupadas com o futuro ambiental em tempos onde se falam tanto a respeito.
            Outra observação é o slogan: “Viva Positivamente.” Mas porque viver positivamente se o mundo me parecer negativo? Há algum crime em perceber a realidade com pessimismo? Será mesmo bom para todos viver percebendo o mundo com positividade? Aqui percebemos uma regra que não se adéqua a todos, pois encontraremos pessoas que não são positivas e vivem muito bem.

Mtv – Assista. Vai ser bom pra você.
            A propaganda é de um programa de televisão, e a frase é bastante categórica: “Assista. Vai ser bom pra você.” Mas o sujeito que lê pode se perguntar: Como será bom pra mim se nem mesmo conhecem quem sou? Como sabem o que me faz bem? O que sabem da minha historicidade para afirmar tal coisa?
            Um programa de tevê que me faz bem pode fazer muito mal para você. E vice e versa. Eu tenho uma construção de pensamento, o que me agrada provavelmente não agradará o resto dos 6 bilhões de seres humanos que habitam o planeta terra, cada um ao seu modo de viver e perceber o mundo.
            O programa que a primeira vista “vai ser bom para você” pode mexer com lembranças que te fazem mal o suficiente para perder o equilíbrio, ou quem sabe ser tomado por uma tristeza profunda, ao fomente em ti o ódio e etc.
            Convivemos com essas cruéis generalizações. No uso do marketing encontramos pessoas condicionadas ao consumismo e às vezes em grise por não conseguir adequar em si toda a teoria encontra.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Questões respondidas sobre Platão - Por prof. Ítalo Silva

Questões respondidas sobre o Iluminismo