Pular para o conteúdo principal

Do semáforo e do amor: reflexões à luz de Tim Maia (crônica)


Era uma daquelas manhãs em que o sol parecia ter decidido brilhar com mais intensidade, como se quisesse nos lembrar de que a vida é feita de momentos efêmeros, mas cheios de significado. Eu estava sentado no meu carro, esperando o semáforo abrir, e aproveitei a pausa para observar a diversidade que se desenrolava à minha volta. A cidade, com sua mistura de sons e cores, era um microcosmo de histórias. Pessoas dentro de carros, cada uma com suas expressões, seus pensamentos, suas ansiedades e alegrias, refletindo a complexidade da condição humana.

Enquanto isso, a voz inconfundível de Tim Maia invadia o ambiente, ecoando a letra de “Não Quero Dinheiro”. A música, com sua melodia contagiante, tinha o poder de tocar as fibras mais profundas da alma. Era como se, por um instante, eu estivesse em um estado de transe, absorvendo cada palavra, cada nota, enquanto as lágrimas ameaçavam brotar dos meus olhos. E ali, naquele semáforo, com o mundo à minha volta, eu percebia que as emoções não eram apenas reações passageiras, mas sim um convite à reflexão.

A letra da canção falava de amor, um amor que transcende as trivialidades do cotidiano. Tim Maia, com sua sabedoria poética, parecia entender o que Marx diria sobre a alienação nas relações sociais. Ele não queria dinheiro; queria amor sincero. E, ao ouvir isso, não pude deixar de pensar em como, muitas vezes, nos deixamos levar pela busca incessante de bens materiais, esquecendo que a verdadeira riqueza está nas relações humanas. 

O semáforo ainda não havia aberto, e eu continuava imerso em meus pensamentos. Nietzsche, com seu conceito do “eterno retorno”, me fez refletir sobre a importância de viver intensamente cada momento. Se tivéssemos que reviver nossas vidas repetidamente, o que escolheríamos? O que realmente valorizamos? A resposta, ao menos para mim, era clara: o amor. O amor que Tim Maia cantava, aquele que nos faz querer o bem do outro, que nos faz esperar por um sorriso, por um carinho, por um gesto de afeto.

A música seguia, e eu me via encantado com o eu lírico que ali se manifestava. Ele conhecia os aspectos fundamentais do amor, aquele que não se baseia apenas em prazeres passageiros, mas que busca a essência do ser amado. O amor que se firma na ternura, na compreensão, na vontade de estar junto, independentemente das dificuldades. Freud, com sua análise profunda do desejo, também nos lembraria que o amor é uma força que nos move, uma necessidade que vai além do simples querer. 

Finalmente, o semáforo abriu, e eu segui meu caminho, mas não sem antes deixar que as lágrimas que contive por tanto tempo escorressem livremente. Elas eram uma forma de libertação, uma maneira de reconhecer que a vulnerabilidade é parte da experiência humana. O amor, como dizia Tim, não é algo que se compra ou se vende; é uma entrega sincera, uma conexão que nos faz sentir vivos.

Enquanto dirigia, refletia sobre o que a letra provocava em meus sentidos. “Quando a gente ama, não pensa em dinheiro”, dizia a canção. Essa simples frase ressoava em mim como um mantra. O amor sincero é o que realmente importa, e a busca por ele é o que dá sentido à vida. Não quero dinheiro; quero amor. O amor que nos faz olhar para o outro e ver não apenas um corpo, mas uma alma, um ser humano com suas fragilidades e belezas.

E assim, ao final daquela manhã, percebi que o amor é, de fato, a chave que abre as portas da felicidade. A cidade, com sua diversidade e complexidade, era um reflexo do que somos: seres em busca de conexão, de afeto, de um lugar onde possamos ser verdadeiramente amados. E, enquanto ouvia Tim Maia, sabia que estava no caminho certo, buscando o amor em cada esquina, em cada olhar, em cada sorriso que cruzava meu caminho.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Questões respondidas sobre Platão - Por prof. Ítalo Silva

Questão 01  Quem foi o filósofo Platão?  É o segundo pensador dos clássicos gregos, foi seguidor de Sócrates, mestre de Aristóteles. Viveu em Atenas no século III a.C. Seus pensamentos são marcos até hoje na filosofia. Questão 02  Como foi chamado a Escola filosófica de Platão e ao que ela pretendia? Academia é a Escola de Platão, e buscava ensinar o exercício do pensar para as pessoas, a prática da cidadania política, filosofia e matemática. Questão 03  Como são e como estão divididos os escritos de Platão? São escritos em forma de diálogos. Conhecidos como os Diálogos de Platão. Estão divididos em três partes: a) Escritos da Juventude, onde relata os ensinamentos de Sócrates. b) Escritos da Maturidade e c) Escritos da velhice. Questão 04  Da Teoria das Ideias, de Platão, defina: 4.1 - Mundo das Sombras: É plano físico, onde não existe a Verdade, apenas sombras e cópias das Ideias. Tudo é mutável. 4.2 - Mundo das Ideias: É plan...

Questões respondidas sobre o Iluminismo

1)Quais são as duas principais visões sobre o iluminismo e o que elas dizem? 2)Quais são as sete ideias, tratadas em aula, que caracterizam o pensamento iluminista? 3)Qual o fundamento do Iluminismo receber o título de “Século da Luz” e “Idade da Razão”? 4)Comente sobre a tolerância e a liberdade dentro dos ideais iluministas de Estado Liberal no Iluminismo. 5)Qual o sentido de uma filosofia engajada e a expectativa de progresso defendida pelos filósofos iluministas? 6)O que é o deísmo iluminista? 7)Explique a bandeira de “Crítica ao antigo regime” como centralidade do Século da Luz. 8)Pesquise quais são os principais pensadores iluministas e qual a defesa de cada um deles. 

01_Resumo para estudos e revisões - Linha do tempo da Filosofia Antiga

- Para visualizar a imagem com melhor qualidade  clique aqui . - Para baixar em pdf clique aqui.