Quando analisamos cinematograficamente "Eddington" através da lente psicanalítica lacaniana, me parece que Ari Aster não apenas constrói alegoria sobre polarização política, mas oferece cartografia clínica das modalidades discursivas que estruturam o laço social contemporâneo em sua dimensão mais patológica. Sou levado a acreditar que o filme funciona como laboratório onde podemos observar como as quatro posições discursivas identificadas por Lacan - do mestre, universitário, da histérica e do analista - operam concretamente quando o simbólico que sustenta a civilidade democrática entra em colapso, permitindo que o Real traumático da impossibilidade de convivência emerja sem mediações fantasmáticas adequadas. Talvez seja necessário compreender que a pequena cidade de Eddington constitui-se como microcosmo onde o que Lacan denomina "discurso do mestre" - estrutura que organiza hierarquias sociais através da imposição de significantes-mestres que fixam ide...