Quem escolhe seus afetos? De quem é a vida que você vive? A gente escolhe qual afeto terá? Dizem ou você acha que está criando sua existência errada?
Essas não são só perguntas simples. Abrem para algo primordial. Nietzsche já suspeitava disso. O filósofo alemão enxergava a vida como uma OBRA DE ARTE a ser criada. Não aquele sentimento açucarado que as redes sociais e falácis de autoajuda empacotam, mas afetos REAIS, trans-formadores. Para Nietzsche, assim como outras ideias filosóficas e psicanalíticas, somos seres que CRIAMOS significado através de nossas potências - forças. Mas aqui vem o incômodo: quantos de nós realmente criamos? Será que, na maioria das vezes, apenas repetimos, mecanicamente, o que nos entregaram pronto?
Sartre vem para complicar isso. Ele viu algo aterrador na liberdade humana: uma condenação absoluta. Estamos CONDENADOS a sermos livres, a angústia de criarmos a nós mesmos, nossos significados, nossos sentimentos. Não há roteiro pronto. Até há. Mas em falências... Diante do abismo existencial, você precisa gerar os afetos que te sustentam. Incômodo, não é? Muito mais fácil aceitar o PRONTO que a sociedade oferece.
Mas quanto mais REFINADO a linguagem do seu repertório afetivo, quanto mais você nomeia precisamente o que sente, MAIS você transforma sentimentos desagradáveis em força criadora. Quanto mais aceita essa liberdade maldita (ou abençoada), MAIS você se torna artífice da sua própria existência. E isso, pessoinhas afetivas, se faz ESCUTANDO as narrativas que você constrói e conta sobre o que viveu e deseja viver. Cada história que você conta e reconto sobre seus afetos, suas frustrações, suas relações, suas conquistas – essa é a matéria-prima da sua obra. Mas se escutar não pode ser o fim. É o começo. Porque você está constantemente compondo NOVAS narrativas, em sentidos outros..., outros significados. Sua vida é o projeto permanente de reescrever-se.
Então: tem coragem para ouvir a história que você realmente quer contar? Se corage a fazer análise. Procure e aposte em uma escuta psicanalítica.
Para mais reflexões como essa, e saber em primeira mão sobre o lançamento do meu livro "Oratória e preparação de discursos"... me siga! Até a próxima.
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