EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A proposta de uma educação inclusiva, ou seja, que inclua em um ambiente comum os educandos que de certa forma são diferenciados, é sem duvida um desafio que apesar de muito se ter sustentado na ultima década necessitará de mais amadurecimentos no progresso educacional.


Há muita complicação na compreensão de uma educação de inclusão. Como há iniciativas louváveis nesse meio também encontramos realidades desprezíveis. Para falar de uma educação inclusiva é preciso visar antes de mais nada o que é a educação e qual a sua finalidade. Ao fazer uma educação “para todos” não se pode cair no erro de nivelar a educação por baixo, ou “simplificar” o aprendizado, ou ate mesmo descarta o objetivo de educar, formar o homem: “conduzir o homem a criação de bons hábitos.”¹
Os termos se diferem muito em cada linha de pesquisa. Aluno especial é como são chamados hoje os alunos portadores de alguma deficiência, seja ela física ou psíquica. Aluno da diversidade é todo aquele que se difere do restante da turma, seja por suas características físicas (cor da pele, gordinho, magrinho, orelhudo e etc.) Tal como outras diferenciações como os órfãos, os filhos de pais separados, crianças que apresentam características que conota uma possível homoafetividade, os diferentes de classe social, os filho evidente da prostituta ou do traficante e etc. O ideal de educação inclusiva diz que todo professor deve esta preparado para receber a todos e fazer com que eles se sintam integrantes do todo. Mas ficam as perguntas: quem é o todo? Não seriam todos diferentes? Quem são os “iguais”, os “comuns”? Existem?
Ao que tenho visto, dentro dessa área que se esbarra em um dom muito significativo do educador-professor, é que todas as teorias desenvolvidas nesses anos não podem serem leis. Primeiro por que quando falamos em educação é preciso considerar a particularidade do ser. Teorias de aprendizagem que foram bem sucedidas com um pode não servi de nada para outro, pois cada criança, cada educando, cada aluno tem a sua percepção, sua captação única.
Caberão aos professores, em sintonia com os pais, colegas e toda a instituição de ensino, conhecer o aluno que tem. Para só assim descobrir a melhor maneira de educar e a aplicar as formas de construção do conhecimento que irão ao encontro da necessidade educacional daquele individual e não o aluno ao encontro da teoria.
A meu ver somos tomados por uma ideologia um tanto equivocada onde sobre-existe a bandeira é “educação para todos”, mas por que educação para todos, todos querem ser educados nos parâmetros escolares? Todos devem, precisam, necessitam de uma educação escolar? Não. Muitas pessoas nunca foram à escola e são cidadãos íntegros e felizes, às vezes muito mais realizados do que graduados e pós graduados. Creio de fato que educação escolar não é para todos.
Essa massificação da educação gera outros problemas, como à nivelação da educação por baixo, a presença em sala de aula de alunos desinteressados que acabam se tornando uma barreira para o professor e colegas, gera também profissionais reféns do sistema. Enfim, o meu objetivo aqui não é aprofundar nisso, mas percebo nisso a grande ascensão da educação inclusiva, pois essa ideologia causou o agendamento na mente do povo de uma necessidade inquestionável de estar na escola sem se preocupar de como estar na escola, ou melhor, como ser escola.
O fato é que os nossos professores terão alunos diferenciados dentro do ambiente educacional e o lamentável é que são poucos que estão preparados para lidar com isso. O professor da nossa cultura não será mais aquele que simplesmente se especializou na matéria e tem didática, mas um “super herói” ou uma super “heroína” que cheio de espírito de caridade dever humanizar o conhecimento, conhecer cada aluno, descobrir os dados de semiose² de cada um para bravamente cumprir o seu papel de educador.
O trágico é que faltam políticas públicas que contribuam eficazmente para a educação do aluno especial ou do aluno da diversidade. Faltam profissionais de fato comprometidos com isso, pois como dizem: pouco se encontra profissionais da educação em uma cultura de muitos prostitutos da educação. Falta adequação do espaço físico, falta conscientização por parte da população. Não se iludam, ainda há muito que fazer para se chegar ao ideal, a educação inclusiva ainda tem grandes lacunas.
Algumas propostas não condizem com a realidade. Seria humanamente possível que um educador abarcasse toda a diferença contida no ambiente de sala de aula e elaborasse uma teoria pedagógica e uma avaliação eficaz para cada um? Os salários pagos aos nossos professores seriam suficientemente aceitáveis se não os percebessem como vocacionado transcendental para tal missão?
Como costumo dizer, é lindo o projeto, é lindo a poética Educação Inclusiva, mas a realidade é outra. A realidade é e cruel, desafiadora, não é elaborada e nem sistematizada. Estamos falando de gente humana, complexa por natureza. O outro é que não se pode entender como Educação séria aquela que não levar em conta a homogeneidade dos educandos, ou seja toda boa educação é por excelência inclusiva.

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1-Platão
2-Dado de Semiose é um termo usado na filosofia Clínica onde compreende diferenciadamente a percepção de expressão e aprendizado de cada pessoa. Saiba mais: http://www.filosofiaclinica.com.br/livros%20de%20L%C3%BAcio%20Packter/Semiose_de_Lucio_Packter.pdf

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